Do glacial que eu não vi

Aeroporto de Dublin.
Mais gostoso do que conhecer um lugar novo,é poder ainda encontrar um dos amigos que conheci nas andanças que fiz.
Na viagem para Nova Zelândia fui conhecendo muita gente nos hostels,e reencontrando vários deles em diferentes cidades (às vezes no meio de uma trilha ou num museu) já que o país é realmente pequeno e algumas cidades fazem parte da rota de todos.
Acho que a primeira vez que encontrei Erick foi em um pequeno hostel onde fiquei três dias apenas,para fazer uma trilha de 19 km que leva ao famoso vulcão filmado no Senhor dos Anéis. Lembro de ter me juntando ao grupo animado,sentado ao redor de uma mesa. Pessoas de vários países tropeçando no que podemos chamar ali de língua franca,sobre suas rotas,suas descobertas e suas vidas tão diferentes.
Não levo mais que dois que segundos para decidir sentar na mesa e descobrir mais sobre os outros e deixar que me descubram.
Encontrei Erick de novo dentro do hostel em Queenstown,,a capital mundial dos esportes de aventura,o bungee Jump mais famoso e mais fotografado,(sim,aquele da ponte!) também está lá. Capital mundial dos esportes?! É que dizem.
Pra ser bem sincera,quando penso nessa cidade me vem na cabeça a trilha mais difícil que já fiz na minha vida e a loja de doces mais maravilhosa que já fui. (não poderia deixar de citar a loja). “The sweet shop” com vários Fudges ( tipo de bolo com consistência quase pastosa ) prováveis,ou seja,você pode experimentar tudo antes de comprar!! Quase morri ali!
Gostaria de ter passado mais tempo lá mas minha viagem teve o roteiro modificado( e sempre faço isso pelas mais diversas razões). Mas nesse caso,uma grande chuva quebrou uma ponte,então fiquei presa em uma cidade um dia a mais e depois em outra cidade por mais um dia também.
Essa mesma chuva também não me deixou visitar um Glacial que seria um dos pontos altos da minha viagem. Fiquei muito triste,mas não se brinca com a natureza…é ela que manda!
E por causa disso,no final da viagem escolhi uma outra rota para chegar até a cidade que eu pegaria meu vôo de volta.
Seria minha última tentativa de chegar perto do Glacial,e para isso eu precisaria pegar um helicóptero,ou seja: pagar uma fortuna! Afinal tudo na terra dos kiwis é extremamente voltado para o turista,tradução em uma palavra só: CARO!
Mas quem está na chuva é para se molhar,e se tem algo que aprendi viajando é :” nunca deixe para a volta”. A volta muitas vezes será a descoberta de um novo caminho,de um novo lugar..então faça se puder,assim que puder!
Eu não queria deixar minha tarefa de ver um glacial para a próxima viagem!
Dane- se o dinheiro! Eu trabalharia e o ganharia de novo.
Mas não isso que aconteceu….
Por tudo ser voltado ao turista,os motoristas de ônibus esperam mais do que deviam por passageiros e são gentis demais. E imagina a quantidade de japonês tirando foto em cada paradinha que o ônibus fazia…
Resultado: não cheguei a tempo de poder pegar um helicóptero e ficar mais pobre….
Desespero total! E só me restava tentativa final de chegar um pouquinho mais perto do glacial! Andando mesmo.
E foi aí que avistei Erick de novo,no meio do nada,daquele vilarejo minúsculo onde as pessoas vão para ficar e fazer o que não pude,mas que tentei de todas as maneiras: entrar num glacial!
Tentativas frustadas! Amizade fortalecida!
Saí dali com a promessa de que um dia visitaria Erick na França. Naquela época eu já tinha em mente a ideia de morar fora,que floresceu naquele país maravilhoso que me fez enxergar quão lindo é conhecer outras culturas.
E cá estou eu indo para França! Ver mais do mundo!
Ver os amigos que encontrei nas andanças que fiz.

Do texto sem contexto

19 graus,vento de 25 km/h e o aplicativo fala: partly cloudy.
Estou feliz!
Por quê?
Estou feliz com a possibilidade de um sol que ainda esquenta meu corpo,mesmo que só por uns segundos. Quem morou aqui sabe que temos dias de sol no inverno em que ele aparece de enfeite,só pra trazer um pouquinho de luz e sensação de que nem tudo é noite porque esquentar mesmo é piada.
Ainda sim,estou de calça comprida,tênis e meia,deitada na grama lendo meu livro.
Esse é meu momento de pensar em português. Ler um livro na minha língua é um bálsamo.
O gramado que estou fica em frente à praia,que está com a maré cheia,mas o real empecilho a se pisar ali ainda é o frio mesmo.
Enquanto isso,um irlandês todo feliz anda sem camisa com sua filha de saia no joelho ( vai notando bem esse contraste..) e meiões na canela. Eles brincam,e ele deve estar levando-a na escola.
Enquanto isso eu leio e vou parando às vezes para observar as pessoas….
Mães com carrinhos de bebê passeando no calçadão,olho a lighthouse lá no fundo que me mostra que mesmo longe,a península de Howth está logo ali,como se possível nadar até lá…volto a ler…
Depois decido encarar o sol quando ele volta mais forte,olho até não conseguir mais e ter que fechar os olhos.
Meu rosto voltado pra ele como se eu quisesse dizer: vamos ver quem agüenta mais?!?
Às vezes eu perco. Mas ele perde a maioria….tão curto é o tempo que ele fica sem um nuvem à sua frente….
Mas no fundo quem perde sou eu… A cada vez que ele se vai….
Mas agradeço por tê-lo tido ali,mesmo que por alguns segundos!

Do meu amor ao verão

Não é porque moro em Dublin que não gosto de calor.
Deveria mesmo é ter escolhido outra cidade para morar se fosse apenas para pensar nisso mas Dublin tem muitos encantos,e quem lê esse blog frequentemente sabe o quanto me apaixonei por cada um deles.
Na verdade,me apaixonei ainda mais pelo verão.E principalmente pelo verão lá! (lá:porque estou no avião nesse momento).
O verão depois dos dias frios que tive ficou mais maravilhoso.
O verão depois de toda escuridão,nunca foi tão iluminado.
Primeiro a escuridão,depois a luz! Isso nunca teve tanto sentido na minha vida.
Se festejei o solstício de inverno,dia mais curto do ano,acho que quase chorei no solstício de verão…
No Brasil,sequer pensava a respeito disso. Mas nessa nova realidade,esperei desesperadamente pelo solstício de inverno! Final na escuridão…final da depressão….
E nesses dias tão lindos de verão me deparei com a estranheza de ser irlandês e como nascer ali muda tudo.
Note que não estou dizendo calor em momento algum. Não sinto calor,me refiro apenas a sensação de ter muita luz,muito mais do que já tinha visto na minha vida inteira,por do sol às dez da noite e de poder andar de camiseta e chinelo de novo! Ah que felicidade que foi colocar um chinelo! Só Deus sabe!
Voltando a estranheza,estava eu em um dos meus intervalos para um lanche,aqueles que corro para à praia há dois minutos de onde trabalho,apenas para sentir que estou mais viva e que posso aproveitar muito mais minha vida ali,se comparar com a minha vida no Brasil.
Sentada no banco,olhando a praia e comendo meu lanche noto um aluno da academia que para para conversar comigo.
Falamos da academia,do Brasil (pra variar) e de repente ele solta: Jesus,está muito calor! Sou irlandês,quero a chuva de volta,não aguento mais esse calor.
Solto uma bela gargalhada…. Ele não sabe o que é calor! Ou sabe. Já deve ter viajado para outros lugares… Mas vejo que ele sofre,vermelho no rosto e transpirando… Enquanto isso,eu vestia minha camiseta e calça de ginástica e estava feliz apenas por ficar descalça ali,achava que aquela temperatura estava é agradável à beça.
Ao mesmo tempo que entendo essa sensação,percebo que aquilo não é de fato uma reclamação.
Eles não reclamam. Eles apenas se iluminam no verão e fecham um pouco mais a cara no inverno. E como não?! A falta de luz é implacável com todos e não foi diferente comigo.
Aquilo foi só um desabafo! Um comentário do quão irlandês ele é e que não é fácil mesmo,como não é fácil pra mim. Tudo depende de onde você nasceu e cresceu,para ser mais exato.
Calor ou não,a cidade está maravilhosa. Todo mundo sai à noite e às vezes não sei se posso chamar aquilo de noite. Porque são dez da noite mas o sol ilumina o palco que dou aula,mais do que a luz artificial de lá de dentro. Difícil definir o que é noite no verão.
E talvez seja essa diferença toda que me faz morrer de amores pelo verão irlandês.
Se por um lado o inverno foi depressivo,por outro o verão foi uma grata surpresa.

Ps: na foto,a minha vista da praia e das pessoas andando felizes apenas porque o dia está lindo e iluminado..

Dos dias lindos…

Praia de Sandymount
Já falei que amo essa praia em algum momento nesse blog,com certeza! Frio,calor,vento ou chuva,ela é sempre linda.
Estou aqui deitada na minha canga que mostra aos irlandeses quão brasileira eu sou,minha canga carrega o cristo!
Deitada lendo meu novo livro do Paulo Coelho,entre reflexões do livro e da vida,volto a pensar no como reclamam os brasileiros e no como isso me irrita. Talvez eu fizesse o mesmo,mas acho que sempre tentei ser feliz com o que fosse. Com o que o dia trouxesse: frio,calor,amigos,solidão,filme,livros,chuva,sol….eu tentava e tento,aproveitar cada um deles e suas particularidades.
São 3 da tarde e eu trabalhei hoje,num sábado e amanhã tenho um workshop à tarde toda,nem por isso estou menos alegre. Estou aqui vendo a vida passar como filme,me sentindo como uma observadora de um lindo filme que é a vida. A minha e a dos outros.
Não consigo parar de pensar no porque vocês aí andam reclamando tanto…ontem vi pessoas reclamando porque estava 14 graus.
Eu vou te explicar o que é 14 graus:
14 graus é suficiente para vir para pra praia,de roupa e sentar na areia com seus filhos e dar atenção a eles.
É bom o bastante para que se queira aproveitar o dia.
É lindo o suficiente para eu sair do trabalho sem almoço,passar no posto comprar um petisco e me deliciar vendo a vida e lendo meu livro.
14 graus…
Será mesmo que o problema é se está calor ou se está frio aí no Brasil? Será que isso tudo não reflete nessa política horrível que temos aí? Será que essa nossa atitude de reclamar e não mudar é que estraga tudo??
São minhas divagações…
São sei se estou certa,é apenas o que ando pensando sem parar….
É preciso o caos,para se ver a luz! Certo?
Não acho que todos precisem disso,mas talvez a maioria precise….

Ah! 14 graus é suficiente para ver a noiva e o noivo felizes tirando fotos de casamento na praia!!

Viva o amor e os dias lindos!

Somos todos cidadãos do mundo

Mais uma vez no avião,voltando para casa que não é de fato minha casa ou meu país,percebo que já não tenho uma casa.
Que já não tenho uma país.
Que sou uma cidadã do mundo,mas todo mundo é… Só não percebemos porque estamos muito presos à raízes,nomes,sobrenomes,lugares,amarras….
Nas viagens por aqui,compro uns souvenirs,mas me atenho ao tamanho e quantidade pois não sei o meu próximo destino,não tenho muito espaço (e realmente não preciso) e não sei o dia de amanhã. Além do que,acumular para quê?! Mas gosto de lembrar das minhas pequenas viagens com esses pequenos presentes pois me trazem grandes lembranças.
Viajar para Grécia foi realizar mais um sonho. Percebo cada vez mais como nos prendemos,como achamos que não podemos,enquanto não abrimos as asas. Ficamos sempre esperando acontecer isso,ou acontecer aquilo para depois ir. O depois nunca acontece e morremos frustrados.
Ouvi isso esses dias no vestiário da academia,uma senhora de mais ou menos 70 anos reclamava do tempo na Irlanda e que deveria ter ido para os Estados Unidos quando era nova…
Esse era o meu medo,e toda vez que ouço algo assim,fico feliz! Desculpe se parece egoísta,não fico feliz por ela,fico feliz por mim! Por estar aqui vivendo a vida como ela deveria ser vivida: intensamente.
Voltar para casa hoje,é excitante. Volto para o frio,é verão,mas não é como nosso verão…. Mas volto para o desafio! Volto para dar aulas em inglês. Volto para fazer um curso em inglês e tentar a certificação das Les mills em inglês pela primeira vez. Volto para planejar meus futuros e não tão longínquos destinos: Paris e Veneza.
Volto para continuar vivendo mais!!

Grécia

O que falar da Grécia??
Exuberante pela beleza natural,instigaste pelo passado cultural,excitante por toda diversidade e com uma atmosfera mágica que eu só havia encontrado na Bahia.
Essa viagem foi revigorante.
Recomendo três dias em Atenas se tiver tempo sobrando. Você pode fazer tudo em um dia,eu fiz em dois,mas teria curtido um pouco mais em três…com toda certeza.
Vá para as ilhas. Sempre amei viajar em ilhas. Uma época no Brasil só procurei por elas e pela tranquilidade que só se encontra lá,sem carros…
Voltando à Grécia só visitei Santorini,optei por quatro noites lá e três em Atenas. Se tivesse mais tempo,teria explorado mais ilhas também mas vai ficar para a próxima.
Note que as ilhas tem propósitos diferentes.
Santorini é romântica,cheia de casais e sem grandes badalações. Vi vários grupos de amigos viajando por lá mas se eu estivesse sozinha,com certeza teria ido para outra ilha. Não deixe de ler bem a respeito antes de fechar qualquer hotel e ferry boat.
Falando em ferry boat,você vai precisar de uma para chegar lá,ou um avião. Cheque horários nos sites e leve em conta no planejamento pois perde-se um tempo considerável nisso.
Em Santorini aluguei um carro por dois dias,fui para todos os pontos da ilha. Vi por do sol no Norte,Sul,Leste e Oeste. O do norte,Oia ( a pronúncia é ia),é mais conhecido,mais turístico mas o do sul e do oeste não tão lindos quanto,então cuidado com os tours de um dia que são vendidos,às vezes alugar um carro ou um quadriciclo pode ser bem mais vantajoso.
Em Santorini você pode ter o privilégio de visitar um vulcão. Ativo,com uma última erupção forte em 1950,mas ainda sim monitorado o tempo todo. Alguns podem achar que passariam direto sem vê-lo. Eu não deixaria de ver um vulcão nunca! Para mim,sempre vale a pena.
Fiquei em kamaris,um dos vilarejos da ilha,que dá para praia ( as praias de Santorini são de pedra ok?! Mas isso não impede ninguém de se deitar ou comprar sapatos de mergulhadores para poder andar tranquilamente… ) Resumindo,se você quer,você dá um jeito.
Nos vilarejos de Fira e Oia,você encontra aquelas casinhas tradicionais que vemos nas fotos mas tome cuidado com o hotel que escolher pois a maioria deles acaba um pouco sem privacidade. Dependendo do ponto que você está caminhando,você pode ver os casais em lua de mel,românticos,mas sendo observados por todos….
Tudo a se pesar! É você quem decide mas ficar em Kamaris para mim foi uma decisão acertada. Tive privacidade,vários bares e bons restaurantes perto e fui visitar todos os pontos que quis. Recomendo.
Dos vários tours com barcos que se pode fazer,escolha ir para Hot Springs! Você pode combinar com o vulcão ou não,mas fica perto e justamente por ser um vulcão ativo,é que a água é quente e se você gosta de um banhinho de lama/argila para renovar a pele,aproveita e também faz lá!
Voltando a Atenas,é preciso falar da culinária. Eu já havia ido num restaurante Grego em São Paulo e me apaixonei pela comida. É bem verdade que minha família por parte de mãe é Sírio Libanesa e a culinária é semelhante,o que me levou a me sentir em casa duplamente: sentindo o cheiro da comida da vó e sentindo o calor no corpo de novo.
Quando estava planejando a viagem,estava preocupada em fazer um roteiro para visitar os lugares históricos mas sinceramente é tudo muito intuitivo,da Acrópole você já vê os outros lugares como Templo de Zeus e sabe para onde ir. Não se preocupe! E por fim,aconselho uma ida ao estádio,seria uma heresia uma professora de educação física não ir!!
Só posso finalizar falando do quanto foi bom essa viagem por me sentir tão em casa.
Praia,sol,água limpa,um pouco de bagunça do trânsito,várias motos (coisa que não se vê na Irlanda na mesma quantidade),lindos finais de tarde,andar de chinelo e descalça,acordar todo dia com sol…tudo isso me fez lembrar minhas férias de verão indo pro nordeste por muitos anos seguidos….
Eu precisava disso!
Eu precisava dessa energia renovada de novo!

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Da culinária irlandesa

Estou sentada num café. Um que eu passo todo santo dia na frente,mas sempre sem me programar para parar! Dizer que passo correndo,como me veio na cabeça há segundos atrás,seria sacrilégio,ao menos depois da vida que já tive. Sem me programar faz jus à realidade.
Escolhi a opção saudável:tomates,ovos poached e FEIJÃO. Pasmem!! O nosso feijão de todo dia é comido no café da manhã aqui. Não é igual ao nosso,e eles comem muito mesmo!!!
Uma opção como a minha de hoje,a da foto,custou €5 e vem servida também com café e torradas/pães com manteiga. ( você pode pedir extra que ninguém vai te cobrar )
O tal do porridge é bem famoso aqui,tradicional no café da manhã do dia a dia,conheço muitos brasileiros aqui que já o adotaram no café da manhã. Comprei uma caixa pra experimentar,agora preciso lembrar de comprar o leite. Mas basicamente é uma mistura de cereais que você come com leite quente,tipo de papinha de aveia que fazemos sabe?!
Bem mais saudável que o tradicional café da manhã irlandês:linguiça,bacon,feijão,cogumelos e ovos,mas esse pelo que percebi,está virando mais uma opção de final de semana e eles tentam comer um pouco melhor.
A culinária irlandesa é bem diferente. Muita pimenta,pouco sal! Tenho certeza que alguns amigos se deliciariam com tanta pimenta,mas tenho mais certeza que a maioria,assim como eu,estranharia a falta de sal.
Não chega a fazer diferença se você cozinha e se come fora. Dublin é uma cidade do mundo. Todo dia pessoas de todos os lugares circulam por aqui de férias,sem contar o tanto de estrangeiros que moram aqui,então é muito fácil achar opções para todos os gostos e a maioria dos restaurantes tem vários pratos sem pimenta.
O problema mesmo,é quando você vai visitar a casa de alguém!! Ninguém vai fazer um prato de macarrão sem pimenta no molho só pra você….
Fora isso,é fácil se acostumar e até se apaixonar pela culinária.
Carne de cordeiro pra todo lado,tem um restaurante marroquino aqui que cozinha o cordeiro por oito horas… Dissolve na boca!
Hábitos são hábitos.
Enquanto tomo meu café aqui,o senhor da frente me olha,tentando disfarçar. Não sei bem se ele olha o quão descabelada estou,a cara de sono ou porque estou comendo o feijão servido na caneca com colher e enfiando o pão dentro pra comer com o molho… Também,desde quando que comer tudo isso desse jeito é normal?!? (Pelo menos não para nós)
Fato é que se vier para cá,venha de coração aberto para pimenta e para cerveja. Apesar da pimenta marcante,a cerveja é sim a marca da Irlanda!
Conversar com um irlandês e não tomar uma cerveja é praticamente um absurdo.
Toda segunda-feira na academia a pergunta que não quer calar: como foi final de semana?? Porque todo mundo sabe que a maioria do pessoal saiu pra beber,mesmo que seja só uma cerveja para jogar conversa fora…
CHEERS

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Das razões para amar o meu segundo país

Estou no trem,indo para Galway.
Tenho tido pouco tempo para escrever aqui… Por um lado isso é ótimo, mostra que mantenho corpo e mente ocupados,ou seja, dias felizes!!! Por outro,perco tanto das ideias que tenho….gostaria de registrar mais os meus pensamentos e sentimentos…
Me dei conta de que ando mesmo amando o meu segundo país!
Resolvi listar aqui algumas das minhas razões,quem sabe alguém se encontra nelas…
A primeira dela, lógico,viajar!
Cá estou no trem,tanto para se ver,tanto para conhecer…e a proximidade da Europa!
Falando em viagem,o motivo número dois aparece: essa semana fui falar com a gerente da academia que trabalho. Sei que estou trabalhando há menos de três meses mas fui perguntar se poderia tirar uns dias para viajar e que arrumaria alguém para dar minhas aulas. Mas a resposta foi surpreendente.” Alessandra você pode tirar férias a hora que quiser,você tem duas semanas seguidas para viajar,só preencha essa formulário requisitando a data!! Vai aproveitar o verão!! Para onde você quer ir??”
Agora me fala,quando no Brasil que antes de um ano você pode pedir férias?? E se você pede qualquer coisa parece errado ou você sabe que será visto com maus olhos se comparado com aquele que faz tudo e não pede nada. Detalhes… Mas detalhes que me fazem querer ficar no momento!!!
E sem falar no meu cabelo e na minha pele! Sei que parece besteira mas conversei com várias brasileiras aqui,conclusão: não sou só eu,realmente a umidade tem lá seus benefícios.
É um saco morar num país que chove tanto mas tudo tem suas compensações,a começar por todo verde que estou vendo aqui da janela do trem….
Ouvi isso de um motorista de ônibus na Nova Zelândia: ” minha filha,você acha que esse verde todo vem de onde?? Não reclame da chuva não…”
Voltando à Irlanda,como não amar o lugar que trabalho?! Se antes eu trabalhava no Centro da cidade de São Paulo e na avenida Paulista e gostava desses lugares,imagina agora vendo o mar ,uma praia maravilhosa na minha frente?! Percebo ali como simples coisas são tão valorizadas aqui. Um dia sem vento ou sem chuva é um dia cheio naquela praia,embora todos os dias eu veja famílias ou casais e seus cães por ali. Cena de filme. Frio,jaquetas e pessoas correndo na praia. Percebi também que antes eu não notava tanto a roupa das pessoas nos filmes,hoje vejo isso…jaquetas,quão frio pode estar,descalço… Só essa semana comecei a ver pessoas descalças na praia… ( mas com calça e jaquetas…)
Um dia de sol é celebrado até pelo locutor de rádio. Amazing! Gosto quando as pessoas celebram as coisas boas.
Ai você vai me falar: lógico que eles celebram,o tempo aí é horrível.
E eu vou dizer,ao contrário do que pode parecer, eles não reclamam….
Vi durante todo o verão brasileiros reclamando do verão no Facebook,posso colocar minha mão no fogo que um inverno aqui é muito mais doloroso do que um verão aí,mas aqui eles não reclamam… É surpreendente! Se o tempo muda e começar a chover,o máximo que você ouve é: – “Aqui é a Irlanda” e ponto. Muitos amam a imprevisibilidade que eu também passei a amar,pois a mesma razão que traz a chuva,traz o sol e o arco íris duas ou três vezes no mesmo dia.
Me vejo hoje podendo desfrutar da alegria de um verão que anoitecerá às onze. Já estou vibrando em poder ver luz depois das oito da noite,quero só ver quando o verão chegar.
Sempre amei o verão. Nunca me importei de pagar mais para viajar nas férias só para poder curtir a praia,a luz e a alegria do verão. Posso dizer que ver o dia escurecer às 3:30 foi muito,mas muito difícil pra mim,mas do que eu imaginava!!
Poder celebrar a chegada da primavera,o fim de tanta chuva,menos vento,muito mais flores,me traz mais um motivo para amar o meu segundo país.
Tudo isso faz o doloroso inverno valer a pena.
Vamos celebrar as diferenças e encontrar motivos para sorrir!

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Da intensidade das coisas….

Dedico este texto à Lilian Cravero,minha amiga querida que assim como eu,pediu demissão,largou tudo e veio voar!

Há alguns finais de semanas atrás,antes da viagem para Galway, saímos de quinta a domingo,vários programas diferentes….
No final do domingo perguntei para o meu namorado qual tinha sido o programa favorito do fim de semana e ele respondeu foi que o samba do domingo.
A resposta já veio seguida da explicação,que me fez deixou feliz pela sensibilidade e me fez refletir muitas coisas.
-“gostei mais do samba por ver você inserida na sua cultura,cantando suas músicas mesmo que eu não as entenda,vendo você dançar mesmo que eu não consiga acompanhar,comendo sua comida e vendo o quanto você estava feliz”
Morar num outro país é muito mais que uma simples viagem para outra cultura e outra língua. Viajar para outro país significa ir perdendo as suas raízes que te prendem e ir criando raízes com o que te importa na sua cultura.
Quando comecei a ouvir o samba meu olhos se encheram de lágrima e só então me dei conta do quanto gosto disso tudo.
Eu adoro o país que vivo agora,então sair é muito divertido para mim,todo final de semana é muito gostoso. Mas foi lindo perceber o quanto amo as minhas origens e quanto isso me emociona.
Quando cheguei na Irlanda e vi a quantidade de brasileiros que tinha aqui,fiquei muito irritada. Hoje sou muito grata a isso. Consigo comprar uma coxinha porque tem brasileiros cozinhando. Consigo achar uma feijoada e levar pessoas de outros países para experimentarem a nossa exótica culinária. Estou longe mas estou perto.
Trabalhando em outra língua,convivendo diariamente com pessoas de outras nacionalidades e tendo que me explicar em inglês de qualquer maneira mesmo que eu não saiba a palavra é cansativo… Então ter amigos que falam português aqui é um bálsamo. É um momento de tranquilidade,de me sentir em casa mesmo tão longe de tudo.
Quanto mais o tempo passa,mais intensas ficam as coisas aqui dentro. Infelizmente isso é algo que você só aprende se largar as suas amarras e voar. Quando alguns amigos diziam para mim sobre a intensidade das coisas quando se mora fora,eu achava exagero… Hoje enxergo que não.
Há dois meses atrás a coxinha não fazia falta,hoje faz!
Há um mês atrás o samba não fazia falta,agora faz!
Sei que quanto mais o tempo passar,mais intensas ficarão as coisas até o dia que eu vou decidir voltar.
Até lá,vou vivendo a intensidade das coisas….

Das novidades dessa vida européia…

Morar na Europa,ou morar em outro país é vivenciar constantemente uma nova cultura.
Cada final de semana pode ser uma experiência nova se você se permitir…
Apesar do frio,Dublin tem se mostrado uma cidade muito movimentada. Final de janeiro,num fim de semana muito frio mesmo,tivemos um Festival de música bem legal. Um palco foi montado no Temple Bar e muitos locais ofereciam bandas a preços razoáveis. ( devo admitir que pagar para ver algo aqui é difícil afinal são tantas atrações gratuitas, e você pode entrar em todos os pubs que conseguir entrar numa noite,sem pagar nada… Você vai ficando mal acostumado com isso e não quer mais pagar por nada mesmo…)
Final de semana seguinte,jogo de Rugby! Você sabe na sexta-feira de manhã quando um jogo importante vai acontecer… A torcida invadiu a cidade para ver Irlanda e País de Gales,e todos os bares estavam decorados para isso.. Sejam bem-vindos turistas.. A Irlanda vai recebendo todos vocês de braços abertos…
Final de semana seguinte,Irlanda versus Escócia. Mais fácil ainda de ver os torcedores chegando! Eles vêm de saia,vão invadindo cada canto e na sexta-feira à noite o Temple Bar já está inundado de saias!! Sensacional. Voltando do trabalho no domingo à tarde ( dia do jogo),passei pelo Aviva Stadium,onde os jogos acontecem, e fui andando no meio da multidão de Irlandeses e Escoceses. O show por si só para mim estava em observar as torcidas e admito que foi impossível não comparar com o Brasil. Comparar com certa tristeza pois quarta-feira à noite quando eu estava no metrô e alguma torcida invadia a estação cantando o hino do time,o que era para ser lindo,virava medo… E aqui para mim e para muitos,é espetáculo! É lindo de ver…
Estou no ônibus agora,indo para Belfast. Esse é mais um final de semana que promete pois as comemorações para o St Patricks Day já começaram. Vou ter a oportunidade de ver Belfast e Dublin numa comemoração que é a maior do país. Eu que já gostava de Pubs no Brasil,agora posso ver como tudo isso faz parte da cultura irlandesa e vou ter o prazer de um dia contar para alguns brasileiros que quiserem ouvir,como é um St Patricks Day no lugar mais tradicional que se poderia vê-lo.

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